Alma de amor

por Dulcineia Vitor

Espetacular é sentir a brisa fresca do fim do dia, é um abraço, é um sorriso largo. Espetacular é o cheiro de casa, é um bilhete carinhoso no café da manhã, é segurar alguém para boiar no mar. Espetacular é preparar um bolo, é conhecer gente engraçada, é ouvir aquela música especial dez vezes sem parar.

Quanto das horas, do dia, das semanas, dos meses e até dos anos se espera por algo espetacular?

Espetacular é ter grandes amigos, é confiar em alguém, é poder cuidar, é a cerveja gelada no sábado, é a praia no domingo, é aquela ligação inesperada, é a voz de sono bem perto do ouvido…

Há tanto de espetacular em viver.

Nem sempre se consegue. Por algumas vezes para ser feliz falta só um tantinho: aquela viagem, aquele emprego, aquele encontro, aquela roupa, aquele carro, aquela casa. O que se tem não parece o bastante, o que se é nem é considerado.

Considere quem você é, e não o que você tem.

Importante na vida é o que se sente, importante é o caminho percorrido, as metas são apenas meios de se viver outras tantas experiências. Como quem come o pedaço de pizza e sente cada aroma, cada sabor, não tem apenas o objetivo de terminar a fatia.

A alma é feita de amor.

Espetacular na vida é se doar, ter ética com as pessoas e amar. É fazer rir, olhar no olhos, deixar que alguém confie em você. É além de ter certeza de que o amanhã será melhor, é tornar o hoje melhor.

Saboreie, perceba todos os aromas e todas as texturas. Deixe a alma transbordar pela pele para sentir a vida.

Dê amor, quanto mais amor se dá, mais amor se tem.

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Viver dá vertigem!

por Dulcineia Vitor

Quero o avesso, o lado de dentro da alma.

Um verso ou dois de amor. Quero devorar aquele pedaço da prosa pra sem demora colar em você.

Quero o inverso, o de ponta cabeça. Um pouco de sol, um pouco de mar, cerveja gelada e risadas de doer a barriga. O jeito certo e a bagunça.

Música alta, música boa, rock n’ roll. Suor. Lágrimas. Beijo estalado de amigo, beijo longo de namorado. Abraços de quebrar os ossos de criança, aperto de mão de pessoa séria. Olho no olho, sorriso largo.

Sentir com a alma, respirar no ritmo de cada sentimento. Amar, amar, amar.

Ser normal de tão louca, pedir para parar, começar tudo de novo. Pedir ajuda, ajudar. Prestar atenção e distrair no meio da conversa. Emocionar com um filme ou um livro; com os dois.

Ser livre.

Experimentar novos caminhos sob a supervisão de um adulto. Ser adulta pra orientar as escolhas de um amigo. Saborear. Ter fé além da conta, saltar.

Quero cabelos despenteados e amor descontrolado. Confiar. Escolher um bom vinho, um bom lugar. Serenidade e paixão.

Tomar chuva de ensopar. Reclamar da vida, resolver tudo com uma dose de tequila. Pedir mais, fazer mais.

Dançar pulando, cantar gritando; cantar junto. Fechar os olhos pro vento que toca o rosto. Correr atrasada, rir com o riso de uma criança. Olhar três vezes se a porta está fechada. Balançar na rede. Cuidar de alguém. Viajar…

Apaixonar por uma voz, um olhar, um toque. Apaixonar todos os dias.

Querer mais, querer sempre, ter vontade, ter vertigem.

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O tempo passa, o coração se cura

por Dulcineia Vitor

“Quando eu fui ferido, vi tudo mudar, das verdades que eu sabia, só sobraram restos, que eu não esqueci, toda aquela paz, que eu tinha, eu que tinha tudo, hoje estou mudo, estou mudado…”

E parece impossível voltar a ser quem você era. Parece que a faca atravessou seu peito e depois daquilo vivido nunca mais você voltará a sorrir como antes. Roubaram sua alma, roubaram seu prazer.

Porém, passa! E toda aquela experiência é mais um aprendizado.

O coração fica marcado, você nunca mais esquece, mas fortalece. E fortalece mesmo.

Ontem, ouvindo rádio e resolvendo as coisas de casa ouvi uma música do Guilherme Arantes, da qual gosto muito (Meu Mundo e Nada Mais) – do trecho acima, e essa música foi mesmo muito especial na minha vida, há alguns anos.

Sou extremamente musical, e atribuo às pessoas queridas e minhas experiências algumas músicas. E essa do Guilherme Arantes falava de um momento muito difícil que me parecia complicado de curar, parecia mesmo impossível.

Hoje estou aqui. Com a respectiva marquinha no coração, mas muito mais forte. Muito mais realista com a vida e entendendo as coisas mais como são, do que como gostaria que fosse.

Na verdade, o que quero hoje, é contar que passa. Passa mesmo. Basta não se entregar, caso precise ficar uns dias de pijama, uns meses sem se maquiar, outros tempos sem fazer exercícios físicos, ok. Faça assim. Mas não se entregue, reaja, mesmo que pouco, porque você vai voltar e vai voltar muito melhor.

E é assim exatamente que estou. Sabe o “travo de amargura” no sorriso, o qual Guilherme Arantes se refere na música? Eu não o tenho. É triste lembrar o que passei, ter tirado algumas pessoas do lugar onde estavam e colocado em outro; readequar minhas crenças, mas isso não me fez perder a alegria de viver.

Vamos sacudir? Tudo no seu tempo. Mas sacuda. Viva. Sempre chega um sol lindo, depois de madrugadas chuvosas.

Felicidade à todos!

Dá o play!!