Acessórios sim, acessórios não

especial moda por Mirel G.

São tantos nós, nós de cá, nós de lá e a moda vai se construindo.

A moda da Europa parece estar acessível em qualquer fast-fashion: peles, pêlos… Que breguice! Onde você mora? Num País Tropical? Então! Como imaginar um cachecol de feltro e lã, uma falsa pele, e outros acessórios do gênero à beira-mar? Como usar?

Por mais rigoroso que seja esse inverno, essa moda não cabe. O que há de novo? Aqui, acolá, coisas interessantes sim, até bonitinhas, necessárias, todavia  que esses artigos sejam bem avaliados. Os estilismos de outros continentes (para não dizer hemisférios) podem vir a conquistar a simpatia, mas com moderação.

Os acessórios sensacionais que Florença, a número 1 em finesse lança no lindo campo florido da moda atendem o gosto de muitos, mas nós que vivemos no País Tropical, que enfrentamos, em um único dia múltiplas temperaturas, não podemos usar peles, lãs pesadas e botas de andar na neve? Como? Não dá!

Meu conselho é: apurem as vistas. Escolham com discernimento. Moda é sim algo a ser analisado, e seguido, claramente, mas sem destrambelhamentos. Aqui é o País Tropical e vocês são as ‘morenas tropicanas’. Escolham peças quentinhas, confortáveis, não aquelas que vão fazer-lhe parecer um esquimó a beira-mar.

Nada de estapafúrdio para este inverno, ok?! Tenham juízo!

Insanidade, sedução e poder: “A Pele que Habito”

por Dulcineia Vitor

Me diz se não é para ter um chilique? Depois de muito olhar a programação dos cinemas, escolhemos ver (meu marido e eu)  A Pele que Habito. Há algum tempo tínhamos visto o trailer, e pensado em não perder a obra de Pedro Almodóvar.

E chegando no cinema, já numa expectativa sem tamanho “o que o louco Almodóvar tem pra nós?”, tomamos um banho… Algo muito maior ainda estava por vir. Um show de loucura inteligente.

Um homem que só precisava de uma desculpa para se utilizar de sua inteligência e criar… Cria, então, uma pele que podia há 12 anos ter salvado a vida de sua esposa, acidentada em um carro que se incendiou. Ele tinha o que era necessário para entregar-se a insanidade total: uma casa longe de qualquer suspeita, uma fiel empregada que o criou desde que nasceu e cúmplices competentes.

A Pele que Habito serviria para muitas discussões, mas que me fariam escrever mais do que deveria e estragar todo ineditismo da obra, e quando me refiro a ineditismo, não me refiro a apenas ser um filme que está nos cinemas, me refiro a surpresas.

Porém, sobre uma coisa posso discutir. Sobre amor-próprio. A pele que habitamos deve ser amada, cuidada e protegida! O nosso amor por ninguém pode ultrapassar nosso amor-próprio; e isso não será egoísmo. Nossas escolhas tem sim a ver com ética, algo que ouvi pessoas sábias falando, mas nunca entendi tão bem quanto agora. O abismo entre amar e ter posse deve ser relevado a cada perda de sentido, a vida é nosso bem maior.