O tempo passa, o coração se cura

por Dulcineia Vitor

“Quando eu fui ferido, vi tudo mudar, das verdades que eu sabia, só sobraram restos, que eu não esqueci, toda aquela paz, que eu tinha, eu que tinha tudo, hoje estou mudo, estou mudado…”

E parece impossível voltar a ser quem você era. Parece que a faca atravessou seu peito e depois daquilo vivido nunca mais você voltará a sorrir como antes. Roubaram sua alma, roubaram seu prazer.

Porém, passa! E toda aquela experiência é mais um aprendizado.

O coração fica marcado, você nunca mais esquece, mas fortalece. E fortalece mesmo.

Ontem, ouvindo rádio e resolvendo as coisas de casa ouvi uma música do Guilherme Arantes, da qual gosto muito (Meu Mundo e Nada Mais) – do trecho acima, e essa música foi mesmo muito especial na minha vida, há alguns anos.

Sou extremamente musical, e atribuo às pessoas queridas e minhas experiências algumas músicas. E essa do Guilherme Arantes falava de um momento muito difícil que me parecia complicado de curar, parecia mesmo impossível.

Hoje estou aqui. Com a respectiva marquinha no coração, mas muito mais forte. Muito mais realista com a vida e entendendo as coisas mais como são, do que como gostaria que fosse.

Na verdade, o que quero hoje, é contar que passa. Passa mesmo. Basta não se entregar, caso precise ficar uns dias de pijama, uns meses sem se maquiar, outros tempos sem fazer exercícios físicos, ok. Faça assim. Mas não se entregue, reaja, mesmo que pouco, porque você vai voltar e vai voltar muito melhor.

E é assim exatamente que estou. Sabe o “travo de amargura” no sorriso, o qual Guilherme Arantes se refere na música? Eu não o tenho. É triste lembrar o que passei, ter tirado algumas pessoas do lugar onde estavam e colocado em outro; readequar minhas crenças, mas isso não me fez perder a alegria de viver.

Vamos sacudir? Tudo no seu tempo. Mas sacuda. Viva. Sempre chega um sol lindo, depois de madrugadas chuvosas.

Felicidade à todos!

Dá o play!!

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Virilidade em crise

por Dulcineia Vitor

O homem de hoje. Há discussões que afirmam que eles já não são mais tão viris, o que os tornaram incapazes de nos proteger. Mas e aí, onde está o problema?

Bem sabemos que nós mulheres há muito desejamos estar no lugar deles, ocupar bons cargos, cuidarmos da nossa vida e não dependermos dos cuidados e desmandos de homem nenhum! E assim fizemos.

Só que nesta conquista toda, as mulheres não deixaram seu romantismo, e continuaram a ser mães amantíssimas e ótimas donas de casa; mesmo que atrapalhadas por turbilhões de assuntos de trabalho, elas se ofendem se alguém disser: “ah, você não é boa mãe” ou “nossa, sua casa não está bonita”. A perfeição é a palavra de ordem para nós.

Mas aí, nós descobrimos como é duro o mercado de trabalho; e como é difícil sustentar uma casa, fazer escolhas, ser independentes. E trouxemos isso para a criação de nossos filhos.

Para as meninas ensinamos a fortaleza de ser mulher, mas sem deixar o encanto, o romantismo. Para os meninos adiamos a maturidade, os deixamos num mundo de sonhos, afinal vão sofrer tendo que prover um lar. Como assim?

As meninas são preparadas para lidarem de igual para igual com homens. E os homens devem adiar seu sofrimento. Mas se agora as mulheres são indicadas a terem suas vidas, por quê essa proteção com os homens?

Talvez esteja no inconsciente das mulheres, que os homens vão sofrer para cuidar de tudo. Talvez, não sei.

Porém, considero que os homens continuam os mesmos, só um pouco mais protegidos por suas mães. Já as mulheres, sim, elas mudaram, e mudaram muito.

A participação das mulheres no mercado de trabalho influenciou a educação de seus filhos, é fato. Exigindo da mulher força, sem perder a dona de casa que existe nela, nem o romantismo. E nos equivocando quando esperamos uma “virilidade” dos homens que já nem é mais ensinada.

Que tal equilibrar as coisas?