Canção Íntima

por Dulcineia Vitor

“A vida é assim, Dulcineia.”

Eis a frase que mais me doeu ouvir, muito mais do que qualquer erro ou perda que eu tenha tido na vida. Mais que as vezes que caí de bicicleta, mais, muito mais do que quando não consegui levantar da cama, porque as dores do corpo e da alma me travavam.

Se a vida é assim, ela é dura e não perdoa. Se a vida é assim, você tem que ter foco no que quer e lutar sem se perder, o mínimo deslize é grave… Se a vida é assim, os momentos bons são para serem aproveitados e podem ser raros. Se a vida é assim, o amor deve ser suficiente as mazelas da vida… E a saudade pode corroer, já os sonhos podem ser o melhor lugar pra viver. Se a vida é assim, você pode conhecer a felicidade e de repente a perder.

Sim, a vida é assim.

Já errei, errei demais. Aprendi pouco, mas aprendi. Tentei consertar o que não consigo, tentei caminhar mais rápido sem forças… Progredi e regredi. Afinal, a vida é assim.

A vida é feita de escolhas, não é? E as consequências vem a cada decisão tomada.

Então, se vê a importância de aproveitar a brisa desta manhã tão bonita, os pingos de chuva tão refrescantes no fim de tarde… O sorriso mais bonito já visto, os sabores, os aromas. Se vê importância em comemorar as vitórias e esquecer os erros.

Esquecer as dores do passado, se alimentar de boas energias, viver o presente, fazer o possível para não errar com as pessoas que ama, não errar com ninguém, doar amor, ser gentil, dançar as melhores músicas – as suas, se reconstruir, perdoar, dar chance a si, fechar os olhos num abraço, se entregar.

“A vida é assim, Dulcineia” e ainda pode ser boa.

Ame.

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Garota, eu vou pra Califórnia!

por Dulcineia Vitor

 

Hoje eu decidi ‘mudar de vida’, penso em lavar a cabeleira, sair ao vento e ouvir uma música libertadora… Tomar chuva, ver o mar…

O importante é a liberdade!

Libertar-se daquilo que lhe faz mal, esquecer aquilo que lhe foi inventado que seria bom, mas que de nada adianta, porque atrasa, machuca, encuca. A vida é muito mais do que pensamentos e ações, ela é cheia de surpresas, sejam boas ou más, e você tem que estar forte, preparada.

Daí você bate no peito e diz: “manda mais uma, irmã”, porque é assim mesmo. Não é porque você está mais fraca que a vida vai lhe poupar. A vida vai mandando os problemas, as situações, uma atrás da outra. Porém, mostra as soluções também, manda novos amigos, lembra você dos velhos, lhe enche de risos, de abraços e beijos bons demais.

Aprendi que não devemos provar nada à ninguém, você é o que é, acreditem ou não. Aprendi que devemos confiar nos olhos de uma pessoa, eles dizem mais que as palavras conseguem explicar. Aprendi que a culpa nada mais é que não saber o que quer, que não assumir o controle de suas vontades. Aprendi que um grande amor deve ser preservado, seja lá de que forma for, ele deve sempre ser cuidado. Aprendi que é muito mais gostoso dizer não e por isso tomar um tapa da vida, do que dizer muito sim e por isso nunca agradar a si mesma.

É essencial ter foco – isso eu sempre digo, vivo a repetir que planejar-se é o ideal. Mas nem sempre dá, não é? A vida vem, lhe atropela e PUF cadê sua vida dos sonhos? Para tanto, é necessário tirar uma força lá de dentro, do fundo da alma, do lado esquerdo do peito e erguer o castelo que sempre quis. Com foco fica mais fácil, porque você se distrai menos.

Uma vez que a vida não vem com manual de instruções e é curta demais, aproveite! Siga o coração e ‘mude de vida’ a cada segundo que lhe convier, porque ter uma ‘vida nova’ dentro da ‘vida velha’ é a melhor coisa que existe.

Ah, como vou pra Califórnia? Devo ir de bike, assim o vento beija melhor meus cabelos.

Virilidade em crise

por Dulcineia Vitor

O homem de hoje. Há discussões que afirmam que eles já não são mais tão viris, o que os tornaram incapazes de nos proteger. Mas e aí, onde está o problema?

Bem sabemos que nós mulheres há muito desejamos estar no lugar deles, ocupar bons cargos, cuidarmos da nossa vida e não dependermos dos cuidados e desmandos de homem nenhum! E assim fizemos.

Só que nesta conquista toda, as mulheres não deixaram seu romantismo, e continuaram a ser mães amantíssimas e ótimas donas de casa; mesmo que atrapalhadas por turbilhões de assuntos de trabalho, elas se ofendem se alguém disser: “ah, você não é boa mãe” ou “nossa, sua casa não está bonita”. A perfeição é a palavra de ordem para nós.

Mas aí, nós descobrimos como é duro o mercado de trabalho; e como é difícil sustentar uma casa, fazer escolhas, ser independentes. E trouxemos isso para a criação de nossos filhos.

Para as meninas ensinamos a fortaleza de ser mulher, mas sem deixar o encanto, o romantismo. Para os meninos adiamos a maturidade, os deixamos num mundo de sonhos, afinal vão sofrer tendo que prover um lar. Como assim?

As meninas são preparadas para lidarem de igual para igual com homens. E os homens devem adiar seu sofrimento. Mas se agora as mulheres são indicadas a terem suas vidas, por quê essa proteção com os homens?

Talvez esteja no inconsciente das mulheres, que os homens vão sofrer para cuidar de tudo. Talvez, não sei.

Porém, considero que os homens continuam os mesmos, só um pouco mais protegidos por suas mães. Já as mulheres, sim, elas mudaram, e mudaram muito.

A participação das mulheres no mercado de trabalho influenciou a educação de seus filhos, é fato. Exigindo da mulher força, sem perder a dona de casa que existe nela, nem o romantismo. E nos equivocando quando esperamos uma “virilidade” dos homens que já nem é mais ensinada.

Que tal equilibrar as coisas?