Horizonte

por Dulcineia Vitor

Hoje eu vou esperar o sol nascer pra sentir a esperança brilhando no coração. Vou ficar sentada na areia da praia observando o mar e tentando sentir o movimento das ondas na alma.

Quero ver crianças brincando com seus pais, rindo, perceber as semelhanças deles: os gestos, cabelos, olhares. Quero pedalar o mais distante que conseguir com os olhos fechados, sentindo a brisa… Respirar fundo e amar as escolhas que fiz e a pessoa que tenho me tornado.

Pegar um bom livro para ler.

Deixar tocar as músicas que me agradam e ligar para quem amo. Olhar fotos antigas e tão cheias de boas lembranças, sentir aromas, gostos e toda saudade bonita do amor já sentido.

Me aconchegar no colo amado. Pegar a estrada escrevendo poesias no pensamento e torcendo para o caminho nunca mais acabar. Desenhar o futuro com os dedos. Amar o sonho mais profundo e realizar os pequenos desejos.

Fazer quem amo sorrir. Sorrir com quem me ama.

Lembrar dos conselhos de papai e abraçá-lo com a alma. Lembrar das broncas de mamãe e amá-la ainda mais. Ouvir a voz que tanto amo. Rir. Cantar inglês errado.

Hoje eu vou lavar os cabelos e sair no vento pra sentir a cabeça gelar, vou experimentar um sabor novo pra valorizar o toque dos lábios. Usar o salto mais alto, só para poder tirar.

Andar na beirinha do mar.

Pensar nas aulas de economia da faculdade e sentir orgulho por ainda lembrar o que são juros compostos. Falar com o melhor amigo, relembrar uma vida inteira de gargalhadas. Falar com gente que faz bem, faz rir, com quem compartilha o que é importante. Abraçar o travesseiro e sentir o cheirinho de casa.

Comprar um girassol para iluminar a vida, apreciar o céu, ver animais nas nuvens.

Hoje eu quero o ritmo de um violão, de uma guitarra, de um baixo e de uma bateria. Quero saber tocar a vida, quero o novo, quero saber tocar você.

Hoje eu quero o que todos os dias eu quis.

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7 dias, 7 emoções em 7 fotos

por Dulcineia Vitor

A ideia foi capturar o sentimento mais forte do dia através de fotos via celular, as chamadas selfies. Foram sete dias seguidos, começando num domingo e terminando no sábado seguinte.

Percebi que algumas sensações muito importantes, passariam despercebidas, caso não registradas e agora foram destacadas do momento comum para guardar na memória de maneira especial.

E quanto desvalorizamos da vida? Quantas vezes aquele sentimento feliz de um dia são estragados por uma lembrança ruim? Sei bem como é esquecer o presente para “sofrer”, e não quero isso. Não queira também! Valorize seu dia e cuide para que sua memória eternize os melhores momentos da sua vida.

Vamos as fotos…

Domingo

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Segunda

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Terça

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Quarta

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Quinta

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Sexta

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Sábado

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Apenas vivam com sentimento. Sintam! E sejam felizes!

Olhos fechados, coragem!

por Dulcineia Vitor

A vida e suas constantes transformações. Transformações que escolhemos, transformações que nos atropelam.

Não dá pra controlar.

O olhar muda, o seu redor inteiro muda. É como uma mola esticada que vai perdendo a perfeição das rodelas e quando encolhida não volta a ser a mesma. É como a massa cozida que ganha maciez com o tempo de aquecimento. É como o vento que bagunça as nuvens formando novos desenhos, desfazendo outros.

As pessoas partem, você se reparte.

São atos, palavras, sentimentos, tudo ao mesmo tempo tornando quem você é. Mudando os caminhos que você vai percorrer. Fecha os olhos, coragem!

Como alguém que aperta os olhos de pavor no pico da montanha russa, abre no meio da descida e sorri, porque sente que vai ficar tudo bem. O que é a vida? Seriam os olhos fechados e a coragem? A vontade de passar o medo e ver que está tudo bem?

Viver o que está bem. Sentir o que está bem. Ultrapassar o que é ruim, excluir, esquecer.

Se você não está parado, se o que você quer é ser feliz, é sentir felicidade, tudo vai mudar o tempo todo e você vai ter que aprender a passar por essas mudanças.

Houve um tempo que acreditei na estabilidade como felicidade. Um outro que acreditei que gargalhadas representavam felicidade. Hoje penso que felicidade é um sorriso na alma, uma segurança no coração e meia dúzia de pessoas que seguram minha mão no momento mais dolorido da vida: viver.

E os pequenos gestos contam muito, dão força: um beijo de boa noite, um afago, um olhar doce; são eles que ficam, nada mais.

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“Dos cegos do castelo me despeço e vou…”

“…a pé, até encontrar o caminho, lugar, pro que eu sou”

por Dulcineia Vitor

E você escolhe ser feliz, não que isso seja lá muito fácil, mas é o que você quer. Todos queremos. Entende por felicidade aquele sentimento pleno que invade a alma e transborda, entende que seja aquele sorrir sozinho – pro ar, entende que seja ter vontade.

Vontade de viver, levantar todos os dias, desejar com força a realização dos sonhos, amar, ser amado. A vontade é pregada na alma e não sai mais de lá, infeliz você não vê, perde o querer, o amor.

Escolher por sua vontade é escolher passar pela solidão.

Não há nada que doa mais que procurar respostas e ter que tirar de si mesmo, queremos sempre um guia. Um traço reto pra ir pisando, até nos comprometemos a não pisar fora da linha; nunca cumprimos. Queremos alguém para culpar pelas consequências, queremos alguém que nos dê a certeza de que vai dar certo.

Dar certo o quê?

Olhar para frente e enfrentar a solidão da vontade de ser feliz, desfazer-se do que faz mal, do que machuca, do que faz duvidar, do que bagunça… Parar com perguntas sem respostas, sem sentido. Focar. Sentir o coração bater forte por aquilo que apaixona. Reunir forças. Buscar.

Lembrar-se que também é um cego do castelo: tem vícios, dores, traumas, tudo que paralisa, mas que se reconhecido, impulsiona. Tem que transformar fraquezas em forças, tem que aprender o impossível, superar os medos – não tê-los. Despedir-se de si mesmo, antes de despedir-se dos outros.

A vida não é tão simples quanto a tentativa de explicá-la num texto, mas é muito mais intuitiva que linhas de um lindo poema.

Despeça-se e vá.

Recomeço

por Dulcineia Vitor

Quando apercebe-se do recomeço, dói. Como acostumar-se? É recomeço, é novo, não há costume no novo, só há novidade. Nem sempre é ruim, mas tem vezes que é.

Daí, tem os velhos hábitos que nem valem mais, não cabem, ficam frouxos ou vazam. E é importante que tudo esteja na medida, pelo menos agora, de outra forma doeria mais, cortaria a carne, além de arrancar a pele. Para onde ir? O que fazer? E por quê?

Passeiam lembranças que perderam o sentido de permanecerem tão perfeitas, tão intactas, tão vivas, já que se tem que recomeçar. Absolutamente nada faz mais sentido tanto quanto gostar de qualquer coisa, sentir prazer, considerar bom, querer mais um pouco, ter algo ali normal, algo que esteja, até, estagnado, sem surpresas.

O silêncio invade tudo. No meio da madrugada uma gargalhada sozinha sem outra para confirmar que aquilo fora mesmo engraçado, é estranho. Falta alguém que gaste sua voz de sono pela manhã e não se atenda o telefone ainda com ela. Não é ruim por isso, é ruim por ser recomeço.

E é o tempo que vai passando… Metade de tudo é confuso, outra metade é loucura. As surpresas se mostram o tempo todo, as músicas dizem muito, mas muito mais do que antes diziam, e, olha que sempre disseram muito. O pó do café no coador é em menor quantidade, a água fervida também deve ser. O perfume só vai ser elogiado tempos depois, a maquiagem feita não é mais apressada.

É tudo parte de um novo começo. É tudo parte do recomeço.

Desejou-se reinventar em 5 minutos como em uma cena de Bridget Jones, 5 minutos lá bastam. Sobe a música e tudo já está diferente. Mas não é assim.

Se vê com novos hábitos: observar paredes brancas, ver TV andando pela casa, escutar música sem se movimentar… Se reconhece, porque se perde no que é. Passa a ter coragem, saber o que quer. Lembra de se cuidar, se vê gostando, se vê odiando.

E que se conviva com a dor, que nem sempre é dor. É, algumas vezes, só recomeço.

Ô coisinha tão bonitinha da filha

por Dulcineia Vitor

É só quando crescemos que percebemos que nada é para sempre.

Nunca pensei que meu pai fosse um herói. Ao contrário de muitos pais por aí, o meu se expunha, demonstrava seu lado ser humano, tinha dúvidas, discutia, ouvia. Porém, sempre achei que ele fosse eterno.

Doce ilusão.

Quando, aos 26 anos, perdi meu pai, foi um choque. Claro que não estava preparada. Infelizmente, eu já tinha passado por desilusões suficientes para entender que a vida “não é bem assim”, mas pô, meu pai! Aquele que me ensinou tanto, como podia ir assim? Mas foi.

O cara que quando eu tinha uns 5 anos me incentivou a abrir meu primeiro negócio, sim, isso mesmo. Ele sempre acreditava no que eu queria, acreditou até o último dia. Porém, só quando via o brilho nos meus olhos. Me ensinou que é com paixão que se faz as coisas, caso contrário, melhor nem fazer.

Tenho como provar que até bolo feito sem amor dá dor de barriga.

Um pai que além de presente fisicamente era presente na alma, eu sentia a presença dele – ainda sinto. Se existir outra vida, nossas almas já eram ligadas de lá. Hoje, posso fechar os olhos e ouvir a voz dele, saber exatamente o que tem pra me dizer, do que reclamaria e que caminhos ele me mostraria na dúvida.

Uma pessoa especial, iluminada, que ajudou muita gente. Que me ensinou a questionar, a amar à toa, a entender os outros ou tentar. Que nunca se vendeu e que me mostrou o porquê da vida de cada um valer mais que qualquer outra coisa no mundo.

Papai dizia pra terminarmos o que começamos, mas só se ainda fosse coerente, apaixonante. Por isso hoje sei mudar de rota, me atropelo, atrapalho, choro sentada no chão, mas levanto e vou.

Obrigada pai! Sempre o amarei!!


E aqui a música que ele me cantava quase todos os dias, juro!

Dá o play!!

Quão suficiente

por Dulcineia Vitor

Até quanto é suficiente? Deve-se encher o copo até a beirada ou só aqueles três goles que matam a sede? Nos damos conta mesmo de quando está no limite ou de quando já foi o suficiente?

Suficiente se ultrapassa ou se alcança?

Por ora, só quero entender essa palavra: suficiente. Dos conceitos, de tudo que nos empurram goela abaixo, seja a sociedade, sejam nossos pais; sempre ouvimos o quanto está bom, o quanto devemos alcançar. O quanto é suficiente.

Mas como suficiente? Suficiente para quem?

Suficiente por vezes me parece uma prisão, porque está lá no chegar, nunca está no partir. Como se a caminhada fosse inválida, daí o suficiente seria a linha de chegada, mas, muitas vezes não é, fica sendo a medalha, mas só se for a de ouro, estiver sol no dia e alguém fotografar. Aí é o suficiente! É?

Me aborrece pessoas que desvalorizam toda uma cruzada, história, caminho, já fiz isso, sei como é. Penso que cada pequena conquista nos constrói e faz parte de nós, e mesmo que ainda se queira mais, a ida até esse ‘mais’ faz parte de tudo, não tem suficiente.

Pra que suficiente? Não pode transbordar? Não pode parar e mudar a rota? Onde se mede o suficiente?

Como dizer à uma criança que já basta, já foi o suficiente na brincadeira de rodá-la. Ela quer mais, ela amou aquilo, aproveitou. Foi o suficiente para quem?

Tenho no meu coração que o que importa é ser feliz. Seja qual for a escolha, nos cabe ter cuidado com as pessoas, nos responsabilizarmos pelo que devemos e seguirmos com ética nossas vidas.

Considero que o segredo da felicidade  é entender que não há limite, não a linha de chegada, apenas há a vontade de ser feliz. E dá pra ser agora!

Bora?