Caminhar

por Dulcineia Vitor

Já tenho 30 anos e ainda escorrego do sofá para o chão. Ainda faço ‘dancinhas’ de comemoração quando uma roupa fica muito bonita. Faço piadas bestas e dou risada de chorar de tantas outras besteiras.

Não me perdi no caminho.

O caminho foi árduo – é árduo; a cada passo que dei, queimei um pouco do que fui… Tive apoio, tive colo, mas tive que confiar em mim. Enquanto andei, não senti como se fosse capaz de entender e saber esse caminhar todo, não senti como se fosse eu que tivesse percorrendo todo ele.

Tive medo, tive fé.

O medo sobressai aos sentimentos e trava. Não é bom. Ele cerca suas escolhas, ele o torna incapaz de ter fé. Ter fé: afirmar algo como verdade. Fé não combina com medo, com dúvida, com prevenção.

Qualquer caminho é menos dolorido com fé. Fé, apenas fé. Não me refiro a religiões. Nem a Deus. Fé. Entregar-se ao seu querer e seguir. Ter fé em si e na sua vontade. Entender que os seus objetivos devem se sobressair aos medos e travas que possam impedir seu caminhar.

Eu mudei, Deus mudou em mim. Mudou de lugar, de ar, de tamanho, de forma e de cor. Deus não está mais do lado de fora, mora em mim. Talvez não seja o mesmo Deus de alguns anos atrás, talvez eu nem saiba explicar direito, mas que posso chamar de “meu Deus”, ah sim, isso posso. Com Ele dentro de mim, reconheço o quanto sou fraca, falha e medrosa.

Reconhecer fraquezas é saber se perdoar, para se fortalecer. Reconhecer as falhas, é compreender o que pode ser o melhor. E, por fim, reconhecer medos, é perceber o que o trava para suas escolhas.

Descabele-se um pouco e grite com o som abafado no travesseiro. Porém, veja o quanto é necessário ter fé em suas escolhas e vontades, em como todo e qualquer paradigma social pode não servir para construir sua felicidade.

Caminhar é pedir ajuda e nem sempre receber, é saber fazer sozinho, aprender. É pôr a sua frente sentimentos bons para a vida. Descabele-se mais um pouco, mas não tenha medo.

Caminhar é viver e nem sempre este caminho, a vida, será plano e sem obstáculos, será preciso se equilibrar, ter fé, respirar fundo e prosseguir. Ter coragem.

Coragem é amar. Amor enche a vida de cor, ar e gargalhadas boas demais.

Já tenho 30 anos e ainda durmo abraçada com um ‘paninho’.

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Todo mundo sente dor

por Dulcineia Vitor

O tempo vai passando devagar só pra machucar mais. Ferida aberta.

Foi arrancado o que de mais belo havia, arrancado sem aviso, arrancado sem consentimento. Ficou um buraco enorme. Sonhos que são descartados, sonhos que foram desvalorizados… Alegria vai embora, não se tem mais vontade de comer… Cadê as cores que se via? Tudo perde o brilho, você está sozinho.

Dá medo, é ruim. De repente, um vazio no coração, não se sabe mais o significado de nada.

A dor passa, toda dor passa. Todo mundo sente dor.

É dolorido demais sonhar sozinho, é dolorido viver sozinho. Somos sozinhos. Com o tempo, a vida vai ensinando uns truques para as dores passarem, mas tem dor que nem colo e cafuné faz passar.

Crescimento. Você nunca sai o mesmo das experiências. Por ora é dor, nem sempre será.

E que volte a ficar bem, que se ame, confie e entregue, porque agora dói, agora se deseja o fim. O fim da dor, das lembranças, da covardia.

Onde estão os sonhos? Foram embora.

Alguém pode ser cruel com você, menos você. Respira fundo, sente o ar, procura beleza, se fortalece.

O mundo vai despedaçar seu coração. Aprenda, sobreviva.

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Olhos fechados, coragem!

por Dulcineia Vitor

A vida e suas constantes transformações. Transformações que escolhemos, transformações que nos atropelam.

Não dá pra controlar.

O olhar muda, o seu redor inteiro muda. É como uma mola esticada que vai perdendo a perfeição das rodelas e quando encolhida não volta a ser a mesma. É como a massa cozida que ganha maciez com o tempo de aquecimento. É como o vento que bagunça as nuvens formando novos desenhos, desfazendo outros.

As pessoas partem, você se reparte.

São atos, palavras, sentimentos, tudo ao mesmo tempo tornando quem você é. Mudando os caminhos que você vai percorrer. Fecha os olhos, coragem!

Como alguém que aperta os olhos de pavor no pico da montanha russa, abre no meio da descida e sorri, porque sente que vai ficar tudo bem. O que é a vida? Seriam os olhos fechados e a coragem? A vontade de passar o medo e ver que está tudo bem?

Viver o que está bem. Sentir o que está bem. Ultrapassar o que é ruim, excluir, esquecer.

Se você não está parado, se o que você quer é ser feliz, é sentir felicidade, tudo vai mudar o tempo todo e você vai ter que aprender a passar por essas mudanças.

Houve um tempo que acreditei na estabilidade como felicidade. Um outro que acreditei que gargalhadas representavam felicidade. Hoje penso que felicidade é um sorriso na alma, uma segurança no coração e meia dúzia de pessoas que seguram minha mão no momento mais dolorido da vida: viver.

E os pequenos gestos contam muito, dão força: um beijo de boa noite, um afago, um olhar doce; são eles que ficam, nada mais.

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Saudade

por Dulcineia Vitor

Olhar perdido no horizonte da saudade, encontrando lembranças, sentindo alguma dor.

São aromas vivos, sabores ainda sentidos, o gosto ficou… O suor daquele dia ainda escorre no rosto, a respiração ofegante ainda não acalmou. O coração está acelerado, a pele sentindo o toque. Mas é só saudade.

Saudade é um lugar, e quando você vai, não consegue mais voltar.

O pensamento vai longe… Capacidade de sonhar com os olhos abertos, sorrir sozinho e chorar sem porquê. A voz embarga, se procura no presente lembranças. Se procura na saudade o presente. Se perde, se encontra, sente falta.

A saudade é capaz de fazer voar. Chacoalhar forte o corpo. Estremecer aquilo que se julga base. Saudade dá a noção exata daquilo que é importante ou não na vida.

Saudade pode ser só lembrança. Saudade pode ser amor. Saudade pode ser saudade.

Coração aquece!

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Quão suficiente

por Dulcineia Vitor

Até quanto é suficiente? Deve-se encher o copo até a beirada ou só aqueles três goles que matam a sede? Nos damos conta mesmo de quando está no limite ou de quando já foi o suficiente?

Suficiente se ultrapassa ou se alcança?

Por ora, só quero entender essa palavra: suficiente. Dos conceitos, de tudo que nos empurram goela abaixo, seja a sociedade, sejam nossos pais; sempre ouvimos o quanto está bom, o quanto devemos alcançar. O quanto é suficiente.

Mas como suficiente? Suficiente para quem?

Suficiente por vezes me parece uma prisão, porque está lá no chegar, nunca está no partir. Como se a caminhada fosse inválida, daí o suficiente seria a linha de chegada, mas, muitas vezes não é, fica sendo a medalha, mas só se for a de ouro, estiver sol no dia e alguém fotografar. Aí é o suficiente! É?

Me aborrece pessoas que desvalorizam toda uma cruzada, história, caminho, já fiz isso, sei como é. Penso que cada pequena conquista nos constrói e faz parte de nós, e mesmo que ainda se queira mais, a ida até esse ‘mais’ faz parte de tudo, não tem suficiente.

Pra que suficiente? Não pode transbordar? Não pode parar e mudar a rota? Onde se mede o suficiente?

Como dizer à uma criança que já basta, já foi o suficiente na brincadeira de rodá-la. Ela quer mais, ela amou aquilo, aproveitou. Foi o suficiente para quem?

Tenho no meu coração que o que importa é ser feliz. Seja qual for a escolha, nos cabe ter cuidado com as pessoas, nos responsabilizarmos pelo que devemos e seguirmos com ética nossas vidas.

Considero que o segredo da felicidade  é entender que não há limite, não a linha de chegada, apenas há a vontade de ser feliz. E dá pra ser agora!

Bora?

O tempo passa, o coração se cura

por Dulcineia Vitor

“Quando eu fui ferido, vi tudo mudar, das verdades que eu sabia, só sobraram restos, que eu não esqueci, toda aquela paz, que eu tinha, eu que tinha tudo, hoje estou mudo, estou mudado…”

E parece impossível voltar a ser quem você era. Parece que a faca atravessou seu peito e depois daquilo vivido nunca mais você voltará a sorrir como antes. Roubaram sua alma, roubaram seu prazer.

Porém, passa! E toda aquela experiência é mais um aprendizado.

O coração fica marcado, você nunca mais esquece, mas fortalece. E fortalece mesmo.

Ontem, ouvindo rádio e resolvendo as coisas de casa ouvi uma música do Guilherme Arantes, da qual gosto muito (Meu Mundo e Nada Mais) – do trecho acima, e essa música foi mesmo muito especial na minha vida, há alguns anos.

Sou extremamente musical, e atribuo às pessoas queridas e minhas experiências algumas músicas. E essa do Guilherme Arantes falava de um momento muito difícil que me parecia complicado de curar, parecia mesmo impossível.

Hoje estou aqui. Com a respectiva marquinha no coração, mas muito mais forte. Muito mais realista com a vida e entendendo as coisas mais como são, do que como gostaria que fosse.

Na verdade, o que quero hoje, é contar que passa. Passa mesmo. Basta não se entregar, caso precise ficar uns dias de pijama, uns meses sem se maquiar, outros tempos sem fazer exercícios físicos, ok. Faça assim. Mas não se entregue, reaja, mesmo que pouco, porque você vai voltar e vai voltar muito melhor.

E é assim exatamente que estou. Sabe o “travo de amargura” no sorriso, o qual Guilherme Arantes se refere na música? Eu não o tenho. É triste lembrar o que passei, ter tirado algumas pessoas do lugar onde estavam e colocado em outro; readequar minhas crenças, mas isso não me fez perder a alegria de viver.

Vamos sacudir? Tudo no seu tempo. Mas sacuda. Viva. Sempre chega um sol lindo, depois de madrugadas chuvosas.

Felicidade à todos!

Dá o play!!