A VOLTA – BREVE – DO LOS HERMANOS

especial música por Grasiele Reis

Há mais ou menos 15 dias, fomos surpreendidos pela feliz notícia dada pelo tecladista e blogueiro Bruno Medina, sobre uma turnê da banda Los Hermanos em 2012.

A informação foi dada com um certo rodeio em seu blog, Instante Posterior. Parece que nem mesmo o próprio Bruno, como membro da banda, acreditava nessa volta, mesmo que só para uma mini turnê ano que vem, quando eles comemoram 15 anos de carreira.

Formada inicialmente como uma banda de rock alternativo do Rio de Janeiro, o Los Hermanos foi tomando rumos diferentes de seu estilo inicial, mostrando vontade própria e deixando clara em cada música a marca registrada de seus dois componentes da linha de frente: Marcelo Camelo e Rodrigo Amarante. Vide o sucesso “Anna Júlia” do primeiro álbum e a canção “O Vento” do álbum Ventura, de 2003. A evolução foi visível – ou melhor, audível.

Ao longo do tempo, as músicas foram explicitando influência carregada de samba, mpb e carnaval, mas não ficaram menos alternativas. Este sim é um adjetivo que define a banda. E só. Não dá pra encaixar Los Hermanos na categoria “rock”, “pop”, “mpb” ou o escambau. Depois de um hiato no rock brasileiro, eles foram a melhor coisa que poderia acontecer. E me atrevo a dizer que são até hoje.

Em abril de 2007, anunciaram um recesso por tempo indeterminado. Pena. Embora muitos odeiem, eles têm uma legião de fãs incondicionais que nutrem uma devoção curiosa pelo grupo. Chegaram a fazer alguns shows, como em 2009, no Just a Fest em São Paulo, abrindo para o gigantesco Radiohead. Estive presente nesse show e posso dizer com arrepio que foi uma experiência extraordinária. Sim, uma experiência. Levo a sensação comigo por todo esse tempo, me lembro de detalhes peculiares… fim de tarde, as pessoas entrando pelo portão da Chácara do Jóquei em bando, correndo quase de mãos dadas em direção ao palco onde já tocavam “Todo carnaval tem seu fim”. Foi emocionante. Sabem o vídeo de “O Vencedor”? Era mais ou menos daquele jeito que as pessoas estavam cantando, em êxtase…

Bom, enquanto 2012 não chega, me apego a esse momento. Foi o único show de Los Hermanos que vi, mas espero que não permaneça assim. Se tiver sorte – porque vou precisar – consigo comprar o ingresso pro ÚNICO show que farão em São Paulo dia 11 de Maio. Os outros serão em Recife, Fortaleza, Manaus, Belém, Brasília, Salvador, Porto Alegre, Belo Horizonte e Rio de Janeiro. Apenas um show em cada cidade. Só pra deixar o gostinho.

Tocar com os Hermanos é lavar a alma e viajar com eles é o mais próximo que se pode chegar da hora-do-recreio na vida adulta – Rodrigo Amarante

UM APELO: Que voltem as bandas dos anos 90!

especial música por Grasiele Reis

Porque a vida não tá fácil pra ninguém…

Mas veja bem, o título deste texto não pretende generalizar e englobar em tal apelo TODAS as bandas da época. Vamos falar mais especificamente sobre o que “apelidaram” de britpop.

E o apelo é feito pelo seguinte motivo: o que há no rock hoje em dia, hein você aí que nasceu por volta de 80..? Eu tenho me perguntado isso todos os dias e até me esforço pra encontrar uma resposta, mas ainda não consegui.

Estamos muito carentes de artistas que façam a diferença; que mudem alguma coisa, mesmo que seja apenas na sua própria vida. E na minha humilde e muito pessoal opinião, os últimos heróis surgiram nos anos 90 e estão sumindo pouco a pouco.

Taí (não tá mais, aliás) o grande Oasis que não me deixa mentir. Nasceu em Manchester em 1991 e deu um tapa na cara da cena rock mundial em 94, nos dando uma opção a mais do que o grunge.

Com o disco Definitely Maybe os irmãos Gallagher mostraram a que vieram, arrepiando com Live Forever e depois, criando incontestáveis hits como Wonderwall. A química perfeita da banda se deve à alma entregue de Liam mais a genialidade incontestável de Noel Gallagher. Polêmicos, com fama de briguentos e insuportáveis, os irmãos construíram a áurea que envolve o Oasis como ninguém. A banda chegou ao fim ano passado, após a gota d’água entre Noel e Liam que mais parecem Caim e Abel – embora eu ache que tudo isso não passa de uma grande fábula. Liam carregou o resto da banda pra outra, chamada Beady Eye, e Noel segue sua carreira solo eu-não-preciso-de-vocês-pra-ser-foda. E nós esperamos pela volta dessa que foi a maior banda dos anos 90; talvez, a última grande banda de rock da história.

O não menos genial Radiohead tem a fama cabida de engendrar o culto depressivo e a poética pessimista – bem como o também saudoso The Verve que ensaiou uma volta por esses dias, mas já arredou o pé novamente. Liderada por Thom Yorke, a banda mudou a sonoridade ao longo de seus oito álbuns. Evoluiu junto com o tempo. Continua na ativa, porém os dois primeiros discos, Pablo Honey e The Bends deixaram a saudosa lembrança de sua aparição com guitarras carregadas que choravam nas canções acompanhando a voz sôfrega de Yorke.

Blur, Suede, Placebo, Elastica, Supergrass, Manic Street Preachers, Travis… poderia fazer uma vasta lista de coisas noventistas que deram esperança de que o rock não havia morrido e podia sim ser feito de maneira original e visceral. Poucas das bandas surgidas nessa época ainda estão vivas, porém não com aquele intuito de salvar as almas perdidas do rock’n roll do início.

Fomos devastados pelo vazio e pelo fácil. Letras são um problema, mas a atitude (ou a falta de) é que entrega a ausência de conteúdo e de essência, de verdade, de visceralidade… O que é o rock hoje em dia?

Temos uma porrada de bandas perecíveis, que já na primeira audição sacamos que não passam do segundo ou terceiro disco, no máximo. Não vejo vontade, não vejo sangue nos olhos, não vejo coração nem alma. A gente até tenta apostar, porque queremos que a esperança continue sendo nossa amiga, mas tá difícil. Somos musicalmente abandonados esperando o grande salvador chegar. Mas eu acho que não chegará. No máximo, dá aquele friozinho na barriga ao ver um show bacana de uma banda atual, mas nada que não suma quando você volta pra casa e coloca Supersonic no último.

Ao contrário do título, no qual fiz um apelo fantasioso, não esperamos que surja algo semelhante a essas bandas ou à época. Não precisamos de repetições. Ansiamos por música de qualidade – e nova.

Há muita dificuldade nisso? Em pegar uma guitarra e estraçalhar no palco, em colocar toda sua verdade pra fora em melodias sujas ou bem construídas, não importando o estilo? Só nos importa que seja verdadeiro e bom. Estamos esperando. Ainda.