Sobre Dulcineia

Conversar é minha arte. Compartilhar o silêncio, minha paixão. Escrevo com amor e por amor. Publicitária. Aprendendo a amar sem posse, meditar e agradecer.

Pertencimento

por Dulcineia Vitor

Dia de inverno com sol, vento fresco do mar, garoa fina da madrugada. Toque suave durante o sono, palavras duras para enfrentar a vida, amigos companheiros. Cafuné para dormir, voz pertinho da nuca para acordar, cabelos molhados para pedalar.

Um bom café, doce, desculpe.

Unhas vermelhas e olhos sempre pintados. Balançar de corpos a qualquer música, olhar de ternura, olhar de tesão. Sabores inesquecíveis, aromas perfeitos. Chocolate, cigarro, cerveja, um bom vinho…

Música alta para não pensar, música baixa para sentir. Música no repeat. Roupas novas, cor nova nos cabelos. Um bom filme, a mesma série. Pedalar devagarinho, deixar o embalo levar… Olhos fechados na brisa, olhos abertos na hora de voar.

Brigas com a balança, caso de amor eterno com o espelho. Narcisismo, paixão, sedução. Meiguice, capacidade de olhar pelo outro, incapacidade de conviver com a tristeza. Desistência.

Coragem, medo.

O bom e velho rock n’ roll, moto, estrada tranquila, pássaros, árvores: araucárias. Descobertas, rotina, sucesso. Gente nova, gente velha, gente querida, gente perigosa. Acertos, erros, pedidos de perdão. Amor, amar, sexo, boa comida. Sensações novas, saudades da infância.

Pertencer-se.

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Anoitecer

por Dulcineia Vitor

Passei um bom tempo contemplando o pôr do sol, me aquietei sentada na grama observando cada raio laranja arranhando o céu, atentei a cada centímetro que o sol escondia de si, tentei contar as nuvens branquinhas que sobraram. Apontei a câmera, desfoquei a imagem, vi o sol maior do que meus olhos podiam ver, cliquei.

Tentei pensar numa música que pudesse compôr o momento, o silêncio tomou conta, brisa geladinha foi se aproximando, fechei os olhos, deixei tocar os cabelos, escureceu. Procurei pela lua, encontrei junto com muitas estrelas.

Quanto tempo dura o pôr do sol? E dentro de nós?

Muitas vezes não será possível responder as perguntas, talvez a importância, o tempo, um dia responda. Nunca conseguiremos capturar tudo o que vemos e o que sentimos, será sempre a essência disso.

Anoitece hoje com toda beleza e imensidão, amanhece amanhã com toda ingenuidade e esperança. O amor se renova, a paz se estabelece, a força aumenta e logo brilha os olhos.

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Está tudo bem

por Dulcineia Vitor

Uma dose de conhaque depois, dois ou três cigarros depois, pensamentos organizados.

Tudo estava tão bagunçado, tudo parecia tão turvo a qualquer olhar, mas era preciso apenas prender os cabelos e começar a faxina.

Um pouco de tontura e nenhuma tortura. Tudo no devido lugar e podendo ser mudado em qualquer tempo, porque agora está tudo bem! Respiração acelerada, coração acalmando… sabores e cheiros, saudade.

Saudade sempre será um lugar.

Blues tocando, sensibilidade aflorando, barulhinho do vento forte na janela, amor. Dois livros lidos pela metade, assinalados nos pontos mais importantes. Lista de compras escrita à mão. Alguns quadros pendurados, móveis lustrados. Almofadas coloridas por toda parte e um leve espreguiçar.

A busca e o encontro pelo centro, calmaria. Estar perto do que ama, sentir o toque preferido, a brisa bagunçando os cabelos… um minuto ou dois depois.

Um táxi pontual, uma estrada desconhecida. É hora de saber, é hora de ter certeza; sempre ficará tudo bem. Um sorriso largo e um olhar de ternura.

Os mistérios da vida, a simplicidade do cotidiano, a complexidade do ser.

Sempre ficará tudo bem.

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Dancing, dancing

por Dulcineia Vitor

Livre!

Livre corpo e alma, toque e sugestão. Olhar tímido, quase perdido, mas certeiro. Desejo no modo de respirar e movimentar os lábios.

A vida podia ser uma música para você… a composição seria sobre intensidade, cor, serenidade, paixão, silêncio, proteção e paz. A melodia daria um ar de fantasia e a combinação seria uma daquelas coisas que não conseguimos separar.

E você dançaria sem esperar por nada, só para sentir. Seus movimentos seriam em harmonia com cada nota, olhariam todos admirados. Você mudaria os passos e cantaria junto. E no final da canção: olhos fechados.

Dancing, dancing, dreaming of a neon light…

Paz!

Paz nas sensações e na maneira de desenhar a existência, acreditar, ter fé. Há algo de muito especial em ser paciente com o universo e, apesar de inquieto, aceitar com serenidade o que está por vir.

Há algo de muito especial em parecer um dançarino da vida. Em ser o elo entre amigos, em lembrar dos detalhes. Há algo de muito especial em um sorriso inspirador, meio escancarado, meio reservado, paradoxo.

Há algo de muito especial em ser inesquecível para alguém. Em saber tocar, em saber silenciar. Em precisar do máximo de adrenalina pra acordar, mas em observar quieto o que não deixa dormir.

Existe uma música para este texto, um clipe… existem mil outras músicas e clipes para você. Mas esta: Nightwalker de Thiago Petit, tem na letra a descrição do que sinto e no clipe a descrição de quem você é.

…Your shoes will take you for a walk and they will lead you to my door.

Sereníssima

por Dulcineia Vitor

Quantas vezes é possível se perder? Esquecer quem se é. Enganar-se sobre quem se é.

Quantas vezes é possível não enfrentarmos nossas cobiças como vontades do que queremos e nossas ofensas para o outro como vazios nossos? Quantas vezes é possível manter-se no automático sem enfrentarmos o que está diante do nariz?

Quantas vezes é possível deixarmos para trás as cicatrizes das batalhas e nos fantasiarmos de bem resolvidos e evoluídos seres? Quantas vezes é possível esquecer de se interrogar como foi seu dia e como você gostaria que tivesse sido?

Quantas vezes é possível perceber que está tudo errado, se chatear, e mudar tudo outra vez?

Recomeços… entendo bem.

Talvez, quando o caminho percorrido tenha significado, basta olhar de volta. Talvez, uma estrada, uma música, um aroma, um sabor… O start para os questionamentos e para a retomada.

Com certeza, quando as raízes são fortes, basta alimentar. Com certeza, quando se tem amigos para lembrar o que se foi e o que pode vir a ser, é bem melhor.

É possível se perder, se esquecer, se enganar inúmeras vezes. É possível nunca mais se dar conta disso… e é possível também retomar.

A vida tem suas armadilhas.

Que esteja sempre cravado em nós quem somos, o que queremos e onde devemos mudar, para que em todas as crises de amnésia, de fantasia e de ‘vida real modo hard’, possamos ter para onde olhar e voltar.

O que amamos se torna raiz, o que odiamos chacoalha como vento de tempestade. O que construímos é referência, o que desconstruímos é evolução.

Apenas respire e movimente-se.

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Crônica Apaixonada

por Dulcineia Vitor

Peça ao apaixonado calma, peça que pare de contar os minutos para estar com o ser amado, peça para raciocinar. O que é raciocinar?

Peça ao apaixonado que não se exponha, não ria à toa e nem traga para todos os assuntos o quanto o ser amado é inteligente, bonito, interessante; talvez o ser mais inteligente, mais bonito e mais interessante de todo o mundo. Peça ao apaixonado que não associe as músicas mais lindas a quem ama.

Peça ao apaixonado que não pense que será para sempre, que é o amor da vida. Peça ao apaixonado que entenda as funções químicas pelas quais seu corpo passa e o deixa assim, tão… tão… tão apaixonado. Peça ao apaixonado que não leia livros com finais felizes, nem veja filmes assim. Peça a ele que não pense o tempo todo no que sente e no quanto quer entregar desse sentimento ao ser amado.

Peça ao apaixonado que tenha juízo, que não se engane. Peça que não se entregue totalmente, não exagere nas declarações, nos cuidados e nas vontades.

Peça ao apaixonado que se distancie do ser amado para não se perder, que se coloque em primeiro lugar e que seja egoísta. Peça ao apaixonado para não acreditar em amores impossíveis, não olhar só o lado bom da vida e o colorido das flores. Peça ao apaixonado que seja realista.

Peça ao apaixonado que não aconselhe os amigos, peça que não deseje a todos o mesmo estado de encantamento e nem saia cantarolando por aí.

Impossível.

O apaixonado é o brilho dos olhos, é o sorriso que escapa sem motivo, é o ápice da melhor música.

O apaixonado é vida, é velocidade, é intensidade. É um pouco de paz e de muita esperança. O apaixonado é o rosto mais bonito, é o corpo mais leve, é a dança mais harmônica.

O apaixonado são as melhores ideias, os perfumes mais delicados e marcantes, os toques mais suaves. O apaixonado é a pressa de estar, e quando está, é a calma de ficar. O apaixonado é a força, é a confiança, é a gentileza. O apaixonado é o cuidado e o descuido.

O apaixonado é o erro mais engraçado e o acerto menos ponderado.

Apaixone-se.

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Estrada

por Dulcineia Vitor

A parte mais gostosa da viagem é o retorno para a casa, a estrada fica mais colorida, a brisa mais fresca, os aromas mais acentuados. Cada quilômetro: sorrisos, brilho no olhar.

Viagem traz bens para a alma. O retorno traz paz.

Se encontrar no abraço amigo, morar lá, e se perder em olhares; o que é familiar cuida, protege, alimenta.

Asas levam pra longe, raízes fazem voltar,

Liberdade é saber escolher, é amar o que é, como é. Liberdade não tem a ver com não pertencer, tem a ver com não se perder. Tem a ver com ter o olhar com longo alcance, com ter as mãos fortes e os passos firmes.

Faça as malas.

Perceber quem você é, sentir sabores sozinho, fazer escolhas sem opinião alheia, dizer “nãos”, ter conversas olhos nos olhos, não temer. Desfiar-se em desejos. Olhar em volta e se parabenizar pelas conquistas.

Somos tão grandes livres, tão encantadores. Para quê a prisão? Prisão de sentimentos, de paradigmas, de enganações.

Sinta amor doado, amar nunca é demais, não machuca e não tem a ver com retenção. Cuide dos sentimentos alheios, tenha ética, receba carinho, dê ainda mais. Use palavras sinceras e seja coerente nas ações.

Ser livre é sentir orgulho de si mesmo.

Viaje. Volte. Sua casa é você.

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