Está tudo bem

por Dulcineia Vitor

Uma dose de conhaque depois, dois ou três cigarros depois, pensamentos organizados.

Tudo estava tão bagunçado, tudo parecia tão turvo a qualquer olhar, mas era preciso apenas prender os cabelos e começar a faxina.

Um pouco de tontura e nenhuma tortura. Tudo no devido lugar e podendo ser mudado em qualquer tempo, porque agora está tudo bem! Respiração acelerada, coração acalmando… sabores e cheiros, saudade.

Saudade sempre será um lugar.

Blues tocando, sensibilidade aflorando, barulhinho do vento forte na janela, amor. Dois livros lidos pela metade, assinalados nos pontos mais importantes. Lista de compras escrita à mão. Alguns quadros pendurados, móveis lustrados. Almofadas coloridas por toda parte e um leve espreguiçar.

A busca e o encontro pelo centro, calmaria. Estar perto do que ama, sentir o toque preferido, a brisa bagunçando os cabelos… um minuto ou dois depois.

Um táxi pontual, uma estrada desconhecida. É hora de saber, é hora de ter certeza; sempre ficará tudo bem. Um sorriso largo e um olhar de ternura.

Os mistérios da vida, a simplicidade do cotidiano, a complexidade do ser.

Sempre ficará tudo bem.

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Dancing, dancing

por Dulcineia Vitor

Livre!

Livre corpo e alma, toque e sugestão. Olhar tímido, quase perdido, mas certeiro. Desejo no modo de respirar e movimentar os lábios.

A vida podia ser uma música para você… a composição seria sobre intensidade, cor, serenidade, paixão, silêncio, proteção e paz. A melodia daria um ar de fantasia e a combinação seria uma daquelas coisas que não conseguimos separar.

E você dançaria sem esperar por nada, só para sentir. Seus movimentos seriam em harmonia com cada nota, olhariam todos admirados. Você mudaria os passos e cantaria junto. E no final da canção: olhos fechados.

Dancing, dancing, dreaming of a neon light…

Paz!

Paz nas sensações e na maneira de desenhar a existência, acreditar, ter fé. Há algo de muito especial em ser paciente com o universo e, apesar de inquieto, aceitar com serenidade o que está por vir.

Há algo de muito especial em parecer um dançarino da vida. Em ser o elo entre amigos, em lembrar dos detalhes. Há algo de muito especial em um sorriso inspirador, meio escancarado, meio reservado, paradoxo.

Há algo de muito especial em ser inesquecível para alguém. Em saber tocar, em saber silenciar. Em precisar do máximo de adrenalina pra acordar, mas em observar quieto o que não deixa dormir.

Existe uma música para este texto, um clipe… existem mil outras músicas e clipes para você. Mas esta: Nightwalker de Thiago Petit, tem na letra a descrição do que sinto e no clipe a descrição de quem você é.

…Your shoes will take you for a walk and they will lead you to my door.

Sereníssima

por Dulcineia Vitor

Quantas vezes é possível se perder? Esquecer quem se é. Enganar-se sobre quem se é.

Quantas vezes é possível não enfrentarmos nossas cobiças como vontades do que queremos e nossas ofensas para o outro como vazios nossos? Quantas vezes é possível manter-se no automático sem enfrentarmos o que está diante do nariz?

Quantas vezes é possível deixarmos para trás as cicatrizes das batalhas e nos fantasiarmos de bem resolvidos e evoluídos seres? Quantas vezes é possível esquecer de se interrogar como foi seu dia e como você gostaria que tivesse sido?

Quantas vezes é possível perceber que está tudo errado, se chatear, e mudar tudo outra vez?

Recomeços… entendo bem.

Talvez, quando o caminho percorrido tenha significado, basta olhar de volta. Talvez, uma estrada, uma música, um aroma, um sabor… O start para os questionamentos e para a retomada.

Com certeza, quando as raízes são fortes, basta alimentar. Com certeza, quando se tem amigos para lembrar o que se foi e o que pode vir a ser, é bem melhor.

É possível se perder, se esquecer, se enganar inúmeras vezes. É possível nunca mais se dar conta disso… e é possível também retomar.

A vida tem suas armadilhas.

Que esteja sempre cravado em nós quem somos, o que queremos e onde devemos mudar, para que em todas as crises de amnésia, de fantasia e de ‘vida real modo hard’, possamos ter para onde olhar e voltar.

O que amamos se torna raiz, o que odiamos chacoalha como vento de tempestade. O que construímos é referência, o que desconstruímos é evolução.

Apenas respire e movimente-se.

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