Arrepio

por Dulcineia Vitor

É poesia.

Sente a pele pulsar, enquanto o coração acelera, suor desce no rosto e a respiração descompassa.

É fábula.

Amor, mas poder ser paixão. Pode ser amor apaixonado. Pode ser paixão física ou de alma. Só não pode ser o nada. Sempre é. E sempre forte.

É conto.

Fica do avesso é o lado certo. Fica inteiro é o pedaço que falta. Completa, retira, vira e desvira… Só não deixa, não perde, não esquece.

Respira, é loucura, é grito, é suspiro, é gemido, é dor, é carinho.

Acalma, xingou, bateu, apertou, apanhou, mordeu, tocou. Toque na alma, foi amado.

Man Kissing a Woman

Olhos fechados, coragem!

por Dulcineia Vitor

A vida e suas constantes transformações. Transformações que escolhemos, transformações que nos atropelam.

Não dá pra controlar.

O olhar muda, o seu redor inteiro muda. É como uma mola esticada que vai perdendo a perfeição das rodelas e quando encolhida não volta a ser a mesma. É como a massa cozida que ganha maciez com o tempo de aquecimento. É como o vento que bagunça as nuvens formando novos desenhos, desfazendo outros.

As pessoas partem, você se reparte.

São atos, palavras, sentimentos, tudo ao mesmo tempo tornando quem você é. Mudando os caminhos que você vai percorrer. Fecha os olhos, coragem!

Como alguém que aperta os olhos de pavor no pico da montanha russa, abre no meio da descida e sorri, porque sente que vai ficar tudo bem. O que é a vida? Seriam os olhos fechados e a coragem? A vontade de passar o medo e ver que está tudo bem?

Viver o que está bem. Sentir o que está bem. Ultrapassar o que é ruim, excluir, esquecer.

Se você não está parado, se o que você quer é ser feliz, é sentir felicidade, tudo vai mudar o tempo todo e você vai ter que aprender a passar por essas mudanças.

Houve um tempo que acreditei na estabilidade como felicidade. Um outro que acreditei que gargalhadas representavam felicidade. Hoje penso que felicidade é um sorriso na alma, uma segurança no coração e meia dúzia de pessoas que seguram minha mão no momento mais dolorido da vida: viver.

E os pequenos gestos contam muito, dão força: um beijo de boa noite, um afago, um olhar doce; são eles que ficam, nada mais.

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