Dor da partida

por Dulcineia Vitor

É triste demais. É como quem espera o próprio fim numa sala escura, sozinha.

A dor que não dá para dividir, porque ninguém entende. É o desespero, a loucura, o medo, que ninguém é capaz de absorver. Conselhos em vão, vida em vão. Vida que finda, vai arrefecendo com os batimentos do coração, só sabe quem sente.

Cabeça que dói, olhos que ardem, mãos que tremem. Decisões que devem ser tomadas: viver alguns outros dias ou entregar-se?

Não, ninguém sabe.

Há quem a salve? Iludir-se? Não, não salvaria ninguém. Esperança? Só engana. Existe ou coexiste uma vida para sentir, vá. Vá? De que forma sentir como antes, se nunca mais será como foi?

Equalizadores desorganizados e não há medida que os organize, não há remédio. Convive-se assim ou aprende a adequar. Mas de que maneira?

É dor. Encantamento que dissipa como as nuvens pesadas diante do vento forte. Não dá para evitar. É dor.

Que doa menos o fim, para que se possa aguentar. Por ora, parece impossível.

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Uma resposta em “Dor da partida

  1. As dores da vida, guria… Que doa menos logo, para que nãõ sofras.
    Dói em todos nós, tempo ou outro.

    Seus ttextos sempre ótimos! Cheios de sentimentos, sejam quais forem. Parabéns!

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