Ô coisinha tão bonitinha da filha

por Dulcineia Vitor

É só quando crescemos que percebemos que nada é para sempre.

Nunca pensei que meu pai fosse um herói. Ao contrário de muitos pais por aí, o meu se expunha, demonstrava seu lado ser humano, tinha dúvidas, discutia, ouvia. Porém, sempre achei que ele fosse eterno.

Doce ilusão.

Quando, aos 26 anos, perdi meu pai, foi um choque. Claro que não estava preparada. Infelizmente, eu já tinha passado por desilusões suficientes para entender que a vida “não é bem assim”, mas pô, meu pai! Aquele que me ensinou tanto, como podia ir assim? Mas foi.

O cara que quando eu tinha uns 5 anos me incentivou a abrir meu primeiro negócio, sim, isso mesmo. Ele sempre acreditava no que eu queria, acreditou até o último dia. Porém, só quando via o brilho nos meus olhos. Me ensinou que é com paixão que se faz as coisas, caso contrário, melhor nem fazer.

Tenho como provar que até bolo feito sem amor dá dor de barriga.

Um pai que além de presente fisicamente era presente na alma, eu sentia a presença dele – ainda sinto. Se existir outra vida, nossas almas já eram ligadas de lá. Hoje, posso fechar os olhos e ouvir a voz dele, saber exatamente o que tem pra me dizer, do que reclamaria e que caminhos ele me mostraria na dúvida.

Uma pessoa especial, iluminada, que ajudou muita gente. Que me ensinou a questionar, a amar à toa, a entender os outros ou tentar. Que nunca se vendeu e que me mostrou o porquê da vida de cada um valer mais que qualquer outra coisa no mundo.

Papai dizia pra terminarmos o que começamos, mas só se ainda fosse coerente, apaixonante. Por isso hoje sei mudar de rota, me atropelo, atrapalho, choro sentada no chão, mas levanto e vou.

Obrigada pai! Sempre o amarei!!


E aqui a música que ele me cantava quase todos os dias, juro!

Dá o play!!

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6 respostas em “Ô coisinha tão bonitinha da filha

  1. Bela, não consegui ler até o final, fica chateada comigo, não! A culpa foi das lágrimas que me cegaram! Tbem tive um pai herói… Bjs no coração

  2. Grande ser humano foi meu sogro. Engraçado, coerente, encorajador e ainda assim, como vc disse sem perder seu lado humano. Nossas conversas sempre me acrescentaram. Temi enquanto não o conhecia, mas uma vez apresentado, para minha sorte em tons de vermelho (Hehehehe) o respeitei ainda mais. Sempre gostei dele gostar de mim e também me ter como filho. Memórias indeléveis na minha mente, sempre me acompanharão daquele aquele careca sisudo, mas de capaz de sorriso contagiante e acolhedor. Belo texto!

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