Quão suficiente

por Dulcineia Vitor

Até quanto é suficiente? Deve-se encher o copo até a beirada ou só aqueles três goles que matam a sede? Nos damos conta mesmo de quando está no limite ou de quando já foi o suficiente?

Suficiente se ultrapassa ou se alcança?

Por ora, só quero entender essa palavra: suficiente. Dos conceitos, de tudo que nos empurram goela abaixo, seja a sociedade, sejam nossos pais; sempre ouvimos o quanto está bom, o quanto devemos alcançar. O quanto é suficiente.

Mas como suficiente? Suficiente para quem?

Suficiente por vezes me parece uma prisão, porque está lá no chegar, nunca está no partir. Como se a caminhada fosse inválida, daí o suficiente seria a linha de chegada, mas, muitas vezes não é, fica sendo a medalha, mas só se for a de ouro, estiver sol no dia e alguém fotografar. Aí é o suficiente! É?

Me aborrece pessoas que desvalorizam toda uma cruzada, história, caminho, já fiz isso, sei como é. Penso que cada pequena conquista nos constrói e faz parte de nós, e mesmo que ainda se queira mais, a ida até esse ‘mais’ faz parte de tudo, não tem suficiente.

Pra que suficiente? Não pode transbordar? Não pode parar e mudar a rota? Onde se mede o suficiente?

Como dizer à uma criança que já basta, já foi o suficiente na brincadeira de rodá-la. Ela quer mais, ela amou aquilo, aproveitou. Foi o suficiente para quem?

Tenho no meu coração que o que importa é ser feliz. Seja qual for a escolha, nos cabe ter cuidado com as pessoas, nos responsabilizarmos pelo que devemos e seguirmos com ética nossas vidas.

Considero que o segredo da felicidade  é entender que não há limite, não a linha de chegada, apenas há a vontade de ser feliz. E dá pra ser agora!

Bora?

Garota, eu vou pra Califórnia!

por Dulcineia Vitor

 

Hoje eu decidi ‘mudar de vida’, penso em lavar a cabeleira, sair ao vento e ouvir uma música libertadora… Tomar chuva, ver o mar…

O importante é a liberdade!

Libertar-se daquilo que lhe faz mal, esquecer aquilo que lhe foi inventado que seria bom, mas que de nada adianta, porque atrasa, machuca, encuca. A vida é muito mais do que pensamentos e ações, ela é cheia de surpresas, sejam boas ou más, e você tem que estar forte, preparada.

Daí você bate no peito e diz: “manda mais uma, irmã”, porque é assim mesmo. Não é porque você está mais fraca que a vida vai lhe poupar. A vida vai mandando os problemas, as situações, uma atrás da outra. Porém, mostra as soluções também, manda novos amigos, lembra você dos velhos, lhe enche de risos, de abraços e beijos bons demais.

Aprendi que não devemos provar nada à ninguém, você é o que é, acreditem ou não. Aprendi que devemos confiar nos olhos de uma pessoa, eles dizem mais que as palavras conseguem explicar. Aprendi que a culpa nada mais é que não saber o que quer, que não assumir o controle de suas vontades. Aprendi que um grande amor deve ser preservado, seja lá de que forma for, ele deve sempre ser cuidado. Aprendi que é muito mais gostoso dizer não e por isso tomar um tapa da vida, do que dizer muito sim e por isso nunca agradar a si mesma.

É essencial ter foco – isso eu sempre digo, vivo a repetir que planejar-se é o ideal. Mas nem sempre dá, não é? A vida vem, lhe atropela e PUF cadê sua vida dos sonhos? Para tanto, é necessário tirar uma força lá de dentro, do fundo da alma, do lado esquerdo do peito e erguer o castelo que sempre quis. Com foco fica mais fácil, porque você se distrai menos.

Uma vez que a vida não vem com manual de instruções e é curta demais, aproveite! Siga o coração e ‘mude de vida’ a cada segundo que lhe convier, porque ter uma ‘vida nova’ dentro da ‘vida velha’ é a melhor coisa que existe.

Ah, como vou pra Califórnia? Devo ir de bike, assim o vento beija melhor meus cabelos.

Acessórios sim, acessórios não

especial moda por Mirel G.

São tantos nós, nós de cá, nós de lá e a moda vai se construindo.

A moda da Europa parece estar acessível em qualquer fast-fashion: peles, pêlos… Que breguice! Onde você mora? Num País Tropical? Então! Como imaginar um cachecol de feltro e lã, uma falsa pele, e outros acessórios do gênero à beira-mar? Como usar?

Por mais rigoroso que seja esse inverno, essa moda não cabe. O que há de novo? Aqui, acolá, coisas interessantes sim, até bonitinhas, necessárias, todavia  que esses artigos sejam bem avaliados. Os estilismos de outros continentes (para não dizer hemisférios) podem vir a conquistar a simpatia, mas com moderação.

Os acessórios sensacionais que Florença, a número 1 em finesse lança no lindo campo florido da moda atendem o gosto de muitos, mas nós que vivemos no País Tropical, que enfrentamos, em um único dia múltiplas temperaturas, não podemos usar peles, lãs pesadas e botas de andar na neve? Como? Não dá!

Meu conselho é: apurem as vistas. Escolham com discernimento. Moda é sim algo a ser analisado, e seguido, claramente, mas sem destrambelhamentos. Aqui é o País Tropical e vocês são as ‘morenas tropicanas’. Escolham peças quentinhas, confortáveis, não aquelas que vão fazer-lhe parecer um esquimó a beira-mar.

Nada de estapafúrdio para este inverno, ok?! Tenham juízo!

O tempo passa, o coração se cura

por Dulcineia Vitor

“Quando eu fui ferido, vi tudo mudar, das verdades que eu sabia, só sobraram restos, que eu não esqueci, toda aquela paz, que eu tinha, eu que tinha tudo, hoje estou mudo, estou mudado…”

E parece impossível voltar a ser quem você era. Parece que a faca atravessou seu peito e depois daquilo vivido nunca mais você voltará a sorrir como antes. Roubaram sua alma, roubaram seu prazer.

Porém, passa! E toda aquela experiência é mais um aprendizado.

O coração fica marcado, você nunca mais esquece, mas fortalece. E fortalece mesmo.

Ontem, ouvindo rádio e resolvendo as coisas de casa ouvi uma música do Guilherme Arantes, da qual gosto muito (Meu Mundo e Nada Mais) – do trecho acima, e essa música foi mesmo muito especial na minha vida, há alguns anos.

Sou extremamente musical, e atribuo às pessoas queridas e minhas experiências algumas músicas. E essa do Guilherme Arantes falava de um momento muito difícil que me parecia complicado de curar, parecia mesmo impossível.

Hoje estou aqui. Com a respectiva marquinha no coração, mas muito mais forte. Muito mais realista com a vida e entendendo as coisas mais como são, do que como gostaria que fosse.

Na verdade, o que quero hoje, é contar que passa. Passa mesmo. Basta não se entregar, caso precise ficar uns dias de pijama, uns meses sem se maquiar, outros tempos sem fazer exercícios físicos, ok. Faça assim. Mas não se entregue, reaja, mesmo que pouco, porque você vai voltar e vai voltar muito melhor.

E é assim exatamente que estou. Sabe o “travo de amargura” no sorriso, o qual Guilherme Arantes se refere na música? Eu não o tenho. É triste lembrar o que passei, ter tirado algumas pessoas do lugar onde estavam e colocado em outro; readequar minhas crenças, mas isso não me fez perder a alegria de viver.

Vamos sacudir? Tudo no seu tempo. Mas sacuda. Viva. Sempre chega um sol lindo, depois de madrugadas chuvosas.

Felicidade à todos!

Dá o play!!