Aceitar exemplos é aprender a viver, quando viver é aprender a aceitar

por Dulcineia Vitor

Como aceitar as diferenças? Por mais que me diga: “não, eu não tenho preconceitos e restrições a respeito dos gostos e escolhas dos outros”, eu vou sempre dizer: “mentira!”. E, infelizmente, é mentira.

Temos dentro de nós um julgador, é ele que, inclusive, nos ajuda a escolhermos nossos caminhos. E esse julgador, sem querer, conceitua situações e as aceita ou não. Isso é natural, vivemos em sociedade, aprendemos por meio de exemplos.

Sim, os exemplos valem mais que as palavras.

E neste convívio com os outros seres humanos fica difícil entender a importância de cada sentimento, situação ou problema para cada pessoa. Porque tudo, absolutamente tudo, depende de uma série de variáveis, nada tem uma verdade absoluta, fechada, concreta. Cada um tem um olhar diferente voltado para o mesmo objeto e abrir-se para esta troca é o que nos enriquece, é o que nos evolui.

Daí, preconceito meu, não aceitar alienados ou radicais quaisquer… E não defendê-los. Porque acredito que para tudo devemos ter um outro olhar, uma nova chance. Por isso, repito, preconceito meu, não aceitar e aplicar esse outro olhar aos alienados ou radicais.

A superficialidade que vejo em reuniões políticas, por exemplo, são as meninas dos olhos de muitos queridos meus. E eu os acho mais ou menos inteligentes, bonitos ou espertos por isso? Não, eu vejo o porquê na ação de cada um (ou me esforço para isso), como espero ser aceita por amar ver novelas, outro exemplo, que não muito me acrescenta, mas que me dá a capacidade de não pensar em nada e esquecer lá algumas das mazelas da vida.

Existem motivos que nos unem: a capacidade de ouvir, de amar, de rir junto, enfim, cada pessoa tem uma identificação com outra e isso que torna a relação especial. Ou a relação uma relação.

Se eu puder arriscar-me dizer o que falta para que essa aceitação comece acontecer, e isso cabe para todos nós, eu diria que só falta mesmo um pouco mais de respeito. No geral, um pouco mais de aceitação. E lembrar que as pessoas servem para somar e não para nos reafirmar.

Aprendi com meu pai que as trocas são as atitudes mais importantes na relação humana. Não se trata de troca capitalista, até porque, socialista que era, meu pai não ensinaria isto. Se trata de trocas de conhecimento, de saber ouvir e respeitar outras convicções, de deixar convencer-se, de ampliar o pensamento.

Porque o que sobra não são as vezes que alguém lhe disse que estava certo e sim, as vezes que alguém lhe ensinou como mudar, melhorar, escolher…

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2 respostas em “Aceitar exemplos é aprender a viver, quando viver é aprender a aceitar

  1. Concordo, mas quando não temos afinidades com alguém, não significa que devemos forçar a convivencia, sim?! Entendo neste caso que aprender a aceitar é gerar um nível de tolerancia para algo que nao gostamos, mas que podemos sim escolher estar apenas com que temos afinidades. Mais ou menos assim…

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